sábado, 29 de agosto de 2009

Segunda quimioterapia

Disse há alguns dias que estava careca... Mas ainda me restavam alguns fios... Agora posso dizer que é de verdade. Quase sem mais um fio. Essa parte não é muito legal... Não me aconselharam a cortar na lâmina número zero (teria mais riscos de cortar a cabeça), daí passamos a lâmina um. Mas durante a semana, os últimos fiozinhos foram caindo, caindo e continuam caindo. É tão rápido que até já desisti de chamar o cabeleireiro. Não gostei muito. Gostei mais quando cortei. Mas tudo bem, a gente acaba acostumando. Choro às vezes quando me olho no espelho por ver só alguns fios. Como já haviam me dito, essa hora realmente não seria tão divertida assim como eu imaginava. É mesmo muito ruim ver a sua cabeça assim. Em síntese, ainda estou treinando o desapego... Sei que já já, isso passa.... Preciso só tomar um sol na careca. Está muito branca. Credo! Só passar bastante protetor! Não posso ficar muito no sol, senão a pele pode ficar manchada. Existem alguns cuidados para quem está passando por este tipo de tratamento. Mas nada muito horroroso que altere muito sua vida. Por exemplo, posso até tomar uma cervejinha... adorei isso!!! rs... O que não posso fazer é sair da sessão de quimio e sentar no primeiro boteco... rs.
Falando em quimioterapia, fiz minha segunda sessão na quinta-feira, dia 27. Como minha médica tinha me alertado, as reações estão sendo bem parecidas com as da primeira sessão. Pelo menos até este momento, estou numa moleza, corpo fraco. Deu muita preguiça de levantar para escrever no blog. Tem hora que estou bem e tem hora que só quero dormir. O bom é saber que daqui uns dias, tudo isso também passa...
Mudando de assunto, estou muito feliz em saber que o blog está servindo de motivação para muitas pessoas. Muito obrigada pelos depoimentos de todos. Emociono-me cada dia com as palavras de vocês também. Dá vontade de escrever agradecendo um por um... Portanto, já se sintam agradecidos. Obrigada! Todas essas palavras são muito importantes.



"Há uma estrada de pedra que passa na fazenda

É teu destino, é tua senda, onde nascem tuas as canções

As tempestades do tempo que marcam tua história

Fogo que queima na memória e acende os corações..."


(Jeito de mato - Paula Fernandes e Almir Sater)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sentimentos de mãe...

Resolvi escrever um pouquinho sobre os meus sentimentos de mãe. Estou pontuando este momento porque o temia. Não sabia qual seria a reação da Amanda, embora sempre tivesse a certeza de que ela encontraria uma forma de lidar com esta situação de uma maneira superativa. A palavra mágica tem sido esta: superação. As dificuldades aparecem e as alternativas vão surgindo e abrindo novas portas. Creio que as coisas acontecem nesta dimensão devido ao sentimento altruísta que envolve toda a nossa família. Temos muita fé em Deus e um amor pela vida, pela natureza, pelas pessoas e um desejo de nos tornarmos melhores que sabemos vir de Deus, nos dando a certeza de que somente coisas boas acontecerão. Portanto, estamos sempre com a postura de agradecimento. Agradecemos os médicos e médicas pelas palavras e atitudes construtivas e por serem tão habilidosos e competentes. Que Deus os abençoe, lhes dê saúde e força sempre... Agradecemos aos familiares e amigos por estarem sempre presentes e tão carinhosos. Agradecemos por apreendermos alternativas de vida melhor, com mais qualidade. Estamos adotando atitudes diferentes, quanto à alimentação, meditação, hábitos saudáveis... Estamos tentando de verdade. Acreditem! É possível melhorar!
No sábado quando vi as mechas de cabelo na mão da Amanda, fiquei assustada e com medo. Não sabia se deveria ir para a chácara (pois eu já ia) ou ficar em casa com ela. Acho que estava um pouco fragilizada... Durante a semana havia ido ao hospital, três vezes, acompanhando o Doba (meu marido), a Brenda (minha filha) e para tratar-me. A Amanda sabia que eu estava um pouco cansada e motivou-nos a irmos para a chácara. Foi melhor assim; os irmãos e o Fábio, de uma forma descontraída, fizeram com que o momento que poderia ser considerado uma perda, fosse divertido. A Débora (minha filha), com sua luz única, cuidou da maninha com muito carinho. Fizeram diversos cortes de cabelo. As fotos ficaram lindas! Amanda com seu sorriso e olhar único, irradia beleza e luz em todas as fotos. Fábio (o xuxu da Amanda) também raspou o cabelo. Ô genro lindo! No domingo, quando vimos a Amanda percebemos que teríamos mais agradecimentos a Deus a fazer. Por nossos filhos, maravilhosos, solidários e companheiros e por toda a luz que a Amanda emana.
Ass: Edna Mara (Mãe da Amanda)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Estou careca!!!














































































********************************************************** Estou careca! Que vida louca... Nunca pensei que ia ficar careca ....rs... Tudo aconteceu muito rápido. Na quinta, senti o couro cabeludo doer um pouco e estava caindo alguns fios; na sexta estava doendo muito mais, era mesmo como se alguém tivesse puxado meu cabelo com muita força ou se eu tivesse queimado o couro tomando sol. É mais ou menos assim... Já no sábado, logo de manhã, quando passei a mão sobre os cabelos, vinham aos montes. Era muito mesmo. Onde eu fosse, tinha cabelo espalhado. Não ia passar daquele dia. Peguei a tesoura, a máquina de cortar cabelo (emprestada pelo meu cunhado, pois desisti de chamar o cabeleireiro em casa), chamei o meu bem e meus irmãos. Começamos brincando, fizemos vários cortes legais antes de raspar. Primeiro fiz uma franja, depois tentamos um moicano. Foi divertido! Todo mundo cortou um pouco. Quando a Débora começou a raspar, me deu uma sensação estranha, não estava mais gostando tanto. Bateu mesmo uma tristeza, daí chorei um pouquinho... ninguém é de ferro. Mas essa tristeza passou rapidinho. Resumindo foi assim: ri, chorei, ri, chorei... e por fim ri de novo. Fiquei analisando minha careca. Depois de um tempo, já estava gostando. Pode ser legal ser careca, usar vários lenços, chapéus.... Acho que vai ser legal. Vamos treinar o desapego... O xuxu também raspou, mas não ficou carequinha. Afinal, o meu está caindo e o dele não. Hoje saí pela primeira vez careca. Coloquei um lenço na cabeça e fui tirar sangue (para o hemograma). Todo mundo olha. É engraçado. Mas o importante é que eu não deixei de gostar de mim, sou eu mesma, Amanda sem cabelos. Pelo contrário, estou me sentindo mais bonita, livre, leve e solta. Nem sei se vou usar aquela peruca... E outra coisa: é ótimo o vento e o sol batendo na careca... rs..

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Começou a cair....

Ontem fui à oncologista com a Débora (irmã) para uma consulta. Sempre é muito bom conversar com a Dra. Patrícia. Nunca conheci alguém tão especial. A luz dela transcende. Dá pra sentir. Uma pessoa para lidar todos os dias com pacientes com este tipo de doença tem realmente que ser alguém muito positivo e iluminado, pois deve ser difícil. Lá, ela me perguntou se meu cabelo tinha dado algum sinal de que ia cair, como uma ardência ou coçeira no couro cabeludo, e eu disse que não. Mas, saindo de lá, ainda no carro, senti a cabeça doer um pouco quando passei a mão para mexer no cabelo (faço muito isso). Era como se estivessem puxado meu cabelo. Daí lembrei que tinha acordado sentindo isso, mas não tinha dado importância. Assim que tirei as mãos dos cabelos, vi uma mexinha deles na minha mão e mostrei pra Débora. Ela disse: "Que é isso, só são alguns fios..." (tentando me dizer que era normal), mas depois ela mesma passou a mão nos meus cabelos e viu que agora era verdade. Meu cabelo estava começando a cair. Nós duas sentimos um frio na barriga e de repente nos deu uma crise nervosa de riso. Ai... era verdade. Fiquei com medo e o frio na barriga não passava. Chegando em casa contei para o resto da família e para o meu Xuxu. Ficamos pensando no que fazer... espera cair mais, raspa logo...? o que fazer neste momento??? Decidi esperar cair mais e depois eu mesma vou raspar meu cabelo. O engraçado é que anteontem eu escrevi sobre meus cabelos e não estava sentindo nada. No outro dia, tudo mudou.

À tarde eu e Débora fomos rezar um pouco. Fui fazer uma orientação espiritual na casa que gosto de frequentar, chamada GFA (Grupo de Assistência Social e Espiritual Francisco de Assis). Me sinto muito bem lá e foi ótimo nós termos ido justamente hoje. Saí de lá muito bem. Me fortaleceu. À noite senti dor de cabeça.. não sei se tem a ver com o fato do couro cabeludo estar doendo..

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Estou ótima!

Há treze dias fiz minha primeira sessão de quimioterapia e estou me sentindo ótima. Meus cabelos continuam firmes e fortes e meu corpo parece reagir bem. Além da dor de cabeça no dia que tomei a medicação só senti umas pequenas tonturas, muito sono e apenas um dia (quinto dia), não senti ânimo para sair da cama, pois meu corpo estava pesado (deve ser a imunidade baixa) daí dormi o dia todo. Mas sério... Tem hora que nem lembro que fiz a primeira sessão. A médica disse que a primeira tenderia a ser pior, já que meu corpo ainda não estava acostumado a essas drogas. Se essa foi a pior, as outras eu tiro de letra. Mas lendo e ouvindo o depoimento de outras mulheres, muitas delas começaram a sentir alguns efeitos lá pela terceira ou quarta sessão. Acredito que deve depender do tipo de câncer e grau da doença. Não sei. Sobre o cabelo, por exemplo, ela disse que podiam começar a cair lá pelo 20º dia, em algumas mulheres ele cai já na primeira sessão, outras só lá pela terceira, outras nem caiu. No meu caso, acho que vai cair sim, pela minha idade, pelo tipo do câncer e porque todos os médicos e enfermeiros (as) falaram que isso ia acontecer. Portanto, já estou me preparando como já havia dito antes. Mas tomara que este dia demore... ou nem chegue... Amanhã tenho consulta com a Dra. Patrícia (oncologista), pretendo tirar algumas dúvidas e provavelmente ela deve me pedir um hemograma para saber como andam as coisas. Se estiver tudo bem, e me parece que está, poderemos diminuir as sessões para de 15 em 15 dias.

Primeira quimioterapia 06.08.09


Chegamos lá na clínica cedo (eu, mamãe e papai) por volta das 9 horas. Fomos muito bem recebidos por toda equipe, Dra. Patrícia (onco), Gláucia (enfermeira chefe), Cláudia (enfermeira), Ronald (enfermeiro), Márcio (enfermeiro), Karla (enfermeira), Núbia (enfermeira) e Cristiane (Psicóloga). Ficamos em box separados com televisão e ainda podemos escolher ficar em uma cama ou um sofá que deita. Fiquei na cama por ser a primeira vez. Depois de colocar o soro na veia os medicamentos são administrados juntamente. Já comecei com o tal do “vermelinho”, o tal pavoroso que faz cair os cabelos e dos que eu irei tomar é o pior. Não sei dizer os nomes dos remédios, até porque são bem difíceis de pronunciar. Só sei que as primeiras quatro sessões são o A e C e nas quatros últimas o T (num total de oito sessões). Mas não me façam lembrar o nome deles. Ainda na clínica, onde saí por volta das 14h30 começou uma leve dor de cabeça. Esta dor de cabeça continuou e piorou durante todo o resto do dia onde fiquei na escuridão do meu quarto pra ver se melhorava e a base de remédios. Ainda senti muito sono, dormi quase o dia todo e à noite também. Além dos remédios para dor de cabeça, estou tomando (durante uns cinco dias) mais três remédios para enjoo e náuseas e mais cinco injeções diárias de Granulokine para aumentar a imunidade.

Amanhã começa outro ciclo... 05.08.09

Hoje fui ao consultório da Dra. Luciana (Reprodução Humana) com a Débora (minha irmã) para tirar os pontos da cirurgia. Não me lembro se comentei antes, mas foram quatro incisões. Um pontinho no umbigo, uma outra maior e centrada no ”pé da barriga” (como uma cesária), mas menor e entre esta, mais duas incisões de um ponto. Ela disse que estava tudo tranquilo e muito bom. Ainda levei o relatório de congelamento do meu ovário e ela disse que uma boa parte esta congelada dividida em vários fragmentos, ou seja, um bom material. Mas a prévia de descongelamento de um pedaço do material ainda não ocorreu e provavelmente o pessoal do instituto, onde estão guardados, irão me ligar quando isto ocorresse.
À noite senti um medinho novamente. Afinal, amanhã começa mais um ciclo, mais uma etapa.

Curso de meditação 04.08.09


Pela manhã fui conhecer a clínica onde ia fazer a quimioterapia. Muito bonita e aconchegante. Tem uma vista muito bonita para Brasília e além de tudo as enfermeiras e enfermeiros são ótimos. Conversei com a enfermeira chefe (Gláucia), tirei algumas dúvidas e ela também me deixou muito tranquila em relação ao tratamento.
À tarde dei início a um curso de meditação, que na verdade é um projeto de pesquisa de dois professores da UNB (Dr. Castellar e Dr. Eduardo Tosta) que já publicaram vários estudos e continuam pesquisando de como a meditação ajuda na cura dos pacientes em tratamento de várias doenças, mas neste caso somente no câncer de mama. Fui com minha mãe e ainda bem que ela foi, pois fará bem para ela também, já que agora tenho absoluta certeza que elas (mães) sofrem muito mais do que a gente e também precisam de ajuda para lidar com tudo isso. Os encontros vão acontecer uma vez por semana e durará 15 semanas. Acredito que vai ser muito bom, pois a primeira aula foi simplesmente fantástica. O legal disso tudo, além de aprender a prática da meditação que só me trará benefícios, ainda vou conviver e poder trocar experiências com as minhas colegas que estão passando pelo mesmo problema que o meu e ainda tem as instrutoras (que já passaram por isso também), todas de câncer de mama. Não sei nas outras aulas, mas na primeira acredito que eu era a mais jovem da sala. Reparei também, que muitas das minhas colegas, estão fazendo tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e não tem tantas oportunidades e condições para fazer muitas coisas que eu pude fazer. Isso vai bom, pois poderei conhecer este outro lado, poder aprender com elas ou até ajudá-las de alguma forma. Como ouvi várias vezes (dos médicos), esta é a hora de cuidar de mim, só de mim. Este é um momento meu, onde só eu sei o que estou sentindo e como estou evoluindo.



PROJETO DE PESQUISA

"O Impacto psiconeuroendocrinoimunológico da prática de meditação sobre pacientes em tratamento de câncer de mama"

Pesquisadores:
Dr. Carlos Eduardo Tosta - (61) 3307-2273/9963-7780 - cetosta@unb.br
Dr. Juarez Isório Castellar - (61) 3307-2273/8171-0559

Local: Hospital Universitário de Brasília (HUB) - SGAN Quadra 605, Avenida L2 Norte - Auditório 1 - Encontros todas às 3as. (terças-feiras) das 14 às 17hs.
Obs: O curso é grátis, não tem qualquer vinculação religiosa e não interfere com o tratamento instituído pelo seu médico.

Este é um período de renovação...03.08.09

Depois de umas duas semanas, consulta com o Dr. Adorno (cirurgião plástico). Ele disse que está tudo ótimo e tivemos mais uma vez conversas muito boas. De lá fomos buscar o relatório de congelamento do meu ovário e depois fomos a Dra. Patrícia (oncologista). Como sempre, também foi ótimo! Ela deixa a gente muito a vontade e com bastante segurança para começar o tratamento, que por sinal começaria após três dias. Senti um pequeno nervosismo, barriga gelada, coração palpitante e mais uma vez tive vontade de chorar. O que estou considerando momentos raros, pois sempre fui uma boa chorona. Estou me sentindo mais forte, o fato de chorar não quer dizer que você é menos ou mais forte. Só quero dizer que às vezes parava e pensava: “Nossa! Nunca mais chorei”. Achei diferente... Me sinto mais forte, pois não vejo isto tudo como sendo ruim, pelo contrário, acho que tudo isto está sendo muito bom, pois como já disse, acho que estou crescendo muito mais como ser humano e como ser espiritual. Estou sentindo e observando muito mais os acontecimento em nossas vidas e só quem passa por uma situação parecida pode entender como mudam muitas coisas lá dentro de nós e que é muito difícil de explicar. Estou passando por período de renovação em todos os sentidos e sinto que daqui pra frente, tudo só tende a melhorar, porque eu estou melhorando. Agora vem a parte mais difícil. Acredito eu. Mas a nossa positividade, fé e esperança faz tudo ser mais tranquilo. Fiquei com medo, claro, afinal sei que está chegando o momento dos meus cabelos me deixarem por um período curto e que outras coisas também podem acontecer. Isso tudo dá um pouco de medo. Não adianta a gente falar que cabelo é o de menos (ouvi muitas vezes alguém falando isso), porque não é. Quem é mulher e se coloca no lugar da outra, sabe muito bem que não é tão simples assim. Mas tudo bem. Vamos lá. Acho que estou preparada para o que vem aí.

Mais uma cirurgia... ooforectomia 25.07.09

Dia da segunda cirurgia. Saímos da casa cedo, pois a cirurgia estava marcada para 7 horas da manhã. Desta vez, eu não estava muito segura, acho que porque eu não conhecia direito os médicos que iam ajudar a Dra. Luciana na videolaparoscopia. Da outra vez, quando cheguei na sala de cirurgia e vi “meus” médicos, senti um alívio e bastante segurança. Além de tudo, a Mila (minha prima) também estava presente que era o melhor de tudo. Já desta vez tomei a anestesia geral antes de encontrar a Dra. Luciana e acho que isto me incomodou um pouco. Mas o procedimento era simples. Demoraria menos de uma hora, bem diferente da cirurgia da mama. Quando acordei, quase umas 3 horas depois chorei muito, como sempre. Só queria saber de encontrar minha família. Depois de acordar direito e acho que porque ainda estava chorando me levaram por quarto. Foi um pouco ridículo, acho que o que eu não tinha desabafado ainda, desabafei ali. Os enfermeiros já estavam falando comigo como se falassem como uma criança – “olha, se você não parar de chorar não vamos te levar pro quarto, pois sua família vai achar que te maltratamos aqui”. Eles nem imaginam como foram estressantes estes últimos dias e quantas mudanças estavam ocorrendo na minha vida. Pra falar a verdade, gostei mais dos enfermeiros e tudo o mais do primeiro hospital onde fiz a mastectomia, é claro que não vou citar nomes, mas quem me conhece e sabe onde foi, ta aí a dica. Depois que cheguei no quarto, veio o alívio. Só de ver minha família tudo melhora. Neste dia ainda passei um pouco mal, senti enjôo e vomitei. Todo mundo falou que ia ser mais simples, mas eu senti bastante incomodo durante a primeira semana após o procedimento (mesmo assim fui à feira, a uma festinha, comer churrasquinho com alguns amigos... rs...doida! Cheia de pontos...). Ainda no hospital, a Dra. Luciana me disse que havia feito uma ooforectomia (retirada de um ovário), no meu caso foi o direito, que havia mais garantias de obter mais folículos. Achei muito correto. Só que pra completar, ela ainda descobriu que tenho endometriose no ovário que me restou. Benza Deus! Eu ia ficar tentando engravidar durante anos e não ia saber porque não conseguia. O melhor de tudo isso é que o remedinho que vai proteger meu ovário esquerdo e que irei tomar durante a quimioterapia, vai sarar a endometriose. Ufa! Dormi no hospital com a mamãe e meu pai foi nos buscar no dia seguinte pela manhã. Saí de lá com o alívio e certeza de mais uma etapa cumprida.

Congelamento de tecido ovariano II - 22.07.09

No dia marcado para a conversa com a Dra. Tatiana, fomos mais uma vez, mamãe e eu. Lá descobri que o que estava fazendo era apenas uma técnica experimental de criopreservação que não tinha garantia de sucesso. A técnica de congelamento de tecido ovariano consiste na retirada de um fragmento do ovário através de um procedimento cirúrgico de videolaparoscopia que é subdividido e congelado para uma futura utilização quando eu quiser engravidar. Uma pequena parte é descongelada previamente para avaliar as condições de sobrevida após congelamento/descongelamento que eu já ficaria sabendo das condições alguns dias após a cirurgia. Na literatura, até o momento, só há 5 casos de nascimento de crianças provenientes deste tipo de procedimento. Fiquei bastante assustada e minhas esperanças de ser mãe um dia foram quase que por água abaixo. Mesmo assim, assinei os documentos e decidi tentar. Afinal era a única alternativa que me restava, pois saindo de lá, liguei para a oncologista para saber se eu poderia tentar fazer o congelamento de embriões, que havia muita garantia de sucesso e era a opção mais aceita pela comunidade científica atualmente. As duas médicas (Dra. Patrícia e Dra. Luciana) conversaram e decidiram que esta última eu não poderia fazer, pois não havia mais muito tempo, já que a quimioterapia não pode esperar e o tempo já estava se esgotando (geralmente não deve passar de 45 dias após a cirurgia), mas o pior é que os hormônios que são normalmente tomados para induzir a ovulação poderiam levar ao aparecimento de um novo tumor. Fiquei bastante abalada com tudo isso. Mas logo levantei a cabeça e resolvi seguir em frente. Afinal estava fazendo agora o que estava ao alcance de minhas mãos. O futuro estava nas mãos de Deus. Como a própria Dra. Tatiana havia me dito, eu tinha várias alternativas, ia tomar o tal do remédio para preservar o ovário durante a quimio, ia coletar para congelamento o tecido ovariano e, além disso, meu ovário poderia voltar a funcionar ou nem ser tão afetado após a quimioterapia. Se nada disso desse certo, tinha outras opções como a adoção de óvulos (que seriam fertilizados com o gameta do meu marido e depois o embrião implantado em meu útero) ou adoção de uma criança.

Congelamento de tecido ovariano 15.07.09

Dois dias depois fui ao consultório da Dra. Luciana, especialista em endoscopia ginecológica e reprodução humana com minha mãe. Esta mesma médica havia feito a cirurgia de retirada de pólipos do útero de minha mãe e esta tinha amado. Combinamos de fazer uma cirurgia de congelamento de tecido ovariano já na semana seguinte e que eu conversaria com outra médica (Dra. Tatiana) que me daria às orientações necessárias de todo o procedimento e também era da clínica onde seriam mantidos meus óvulos, minha contribuição para possíveis filhotes num futuro próximo. Fiquei muito feliz com nossa conversa e saí de lá com a esperança de que seria mãe um dia.

Médicos 13.07.09

Voltei ao Dr. Adorno (cirurgião plástico), a família quase toda foi junta (como sempre), papai, mamãe, Dedé e Mila que ainda estava de férias aqui em Bsb e foi nas consultas com a gente. Mexemos no expansor pela primeira vez. Como expliquei anteriormente foi injetado soro fisiológico em uma válvula que fica implantada perto do seio. É bem curioso ver seu seio aumentando de tamanho rapidamente. Parecia que tinha um motorzinho ligado dentro de mim. Por fim ele deixou meu seio direito do mesmo tamanho do esquerdo e ainda bem ficarei assim até o término da quimioterapia. Depois de tudo podemos pensar em aumentar. E é claro que quero aumentar... já que mexeu.... Do consultório do Dr. Adorno fomos a Dra. Patrícia (Oncologista) que médica ótima! Aliás, quero dizer que graças a Deus todos os “meus” médicos, pois nunca fui tão bem tratada em toda minha vida. Todos, sem exceção, me transmitiram segurança e sinceridade, todos foram carinhosos, generosos e atenciosos, inclusive a Dra. Giovanna (Mastologista) que não pode me acompanhar por causa de sua gravidez (Bem-vinda Manoela!). Voltando ao assunto, fomos muito bem recebidos pela Dra. Patrícia que explicou em detalhes como seria o tratamento. Saí de lá muito segura. O que ainda me angustiava era o fato de saber que a função ovariana poderia ser afetada pela quimioterapia e poderia me ocasionar uma infertilidade. Mas ela explicou que além do procedimento que eu poderia fazer antes da quimio (congelamento de óvulos, por exemplo) ainda tinha um remedinho que eu ia tomar para tentar preservar a função do ovário. Já tínhamos uma consulta marcada com uma médica especializada em reprodução humana e ela ainda indicou outro médico.

Pensando no cabelo... 11.07.09

Ainda pensando neste lance do cabelo e como eu não conseguia lavar meus cabelos direito por causa da cirurgia de esvaziamento axilar no braço direito, minha irmã tinha que ficar lavando sempre e ainda estavam grandes dificultando tudo, decidi cortá-los um pouco. Além disso, já iria me acostumando um pouco com diferença do cabelo cortado. Fui ao salão e cortei os cabelos na altura do pescoço. Guardei o resto para uma possível peruca ou para doação. Ainda conversei com o cabeleleiro para que fosse na minha casa quando eu fosse raspar. Tudo combinado. Ou talvez, eu mesma raspe.

Exame PET/CT



Depois de alguns dias (dia 09.07) realizei um exame chamado PET/CT que é novidade do mundo da medicina. Este exame faz uma análise do corpo todo e pode detectar qualquer malignidade de até 1mm. É um exame muito preciso e muito importante, pois dele iríamos saber se tinha alguma metástase para qualquer parte do corpo. Tudo foi bem demorado, entrei lá 9 horas da manhã e saí quase 16 horas. Tem um tempo de descanso com soro, que leva umas 2 a 3 horas (você fica em jejum de carboidrato no dia anterior), depois toma uma medicação na veia que irá detectar durante o exame um possível tumor. Por fim, a gente entra em uma máquina que faz esta análise. Neste dia agradeci muito a Deus por me dar oportunidade de fazer este exame e por tudo que fiz até agora. Muitas pessoas estão enfrentando filas e listas de espera para fazer uma simples mamografia, enquanto eu tive a oportunidade de fazer tudo por convênio graças a Deus. Falando nisso, assisti uma reportagem um dia desses, sobre mamógrafos no Distrito Federal. Parece que só existia um, e este um estava quebrado há mais de dez anos. É um absurdo. Para umas pessoas é tão simples e para outras este tipo de exame é tão difícil e pode significar tudo. Quantas mulheres já devem ter morrido de câncer de mama não só aqui no DF como em todo Brasil porque não tiveram assistência médica necessária. Isso é comprovado nas estatísticas, pois o câncer de mama é o que mais mata mulheres hoje no Brasil, isso porque provavelmente não são descobertos há tempo. Se descobertos há tempo, as chances de cura são de 100%. Aí está a importância da mamografia que é o exame mais preciso para detectar este tipo de câncer. A saúde deve ser priorizada sempre.

Bendita mastite!

Alguns dias depois, saiu o resultado da biópsia que era muito esperado, afinal nele constava tudo. Levamos ao Dr. Bruno (masto). O resultado confirmava o câncer invasivo (metástase para os linfonodos), mas graças a Deus, a “invasão” foi pequena. De 31 linfonodos retirados, somente dois estavam comprometidos. Como disse o médico, este resultado foi positivo, apesar de ser agressivo o câncer poderia ter invadido boa parte dos linfonodos que é geralmente o que acontece quando se tem parte da mama tomada e no meu caso a mama quase toda já estava tomada. Durante a cirurgia ele disse ter ficado bastante preocupado, pois acreditara que boa parte já estaria comprometida. O acontecera na verdade, é que a Mastite que eu tive, deixou esta área um pouco inflamada, o que podia confundir. Falando nela – bendita mastite! Se eu não tivesse tido esta mastite, nem tão cedo ia realizar qualquer exame da mama, por causa de minha idade e por não ter histórico familiar de câncer na família, e no meu caso também não detectaria pelo auto-exame, pois não tinha nenhum caroço ou nódulo. Uma doença não teve nada a ver com a outra. Pois é. Deus me mandou esta mastite para que eu começasse a tratar da mama. Falando Nele... é muito curioso como as coisas vão acontecendo. Tudo aconteceu parece que na hora certa, pois apresentei minha monografia em novembro passado e em dezembro comecei a sentir os sintomas da mastite. Mais ou menos assim, uma coisa de cada vez. E, além disso, parece também que acontecem estas coisas quando estamos mais fortes, pois me sinto forte e estou levando tudo numa boa, apesar das dificuldades, elas vão passar, estão passando e nunca podemos deixar de pensar no próximo, pois ouvi muitas histórias de pessoas que passaram ou estão passando por situações muito piores que a minha. Mulheres grávidas com câncer de mama, ou até outros tipos de câncer, pessoas com metástases, como por exemplo, José Alencar (vice-presidente) que para mim é um guerreiro, um lutador e merece a vida mais do que ninguém, até o momento já passou por 15 cirurgias, inclusive experimentando alternativas novas de tratamento e continua sorrindo. São pessoas assim que nos inspiram a lutar também e nos mostram que as dificuldades da vida podem ser superadas, basta ter fé, confiança e acreditar que tudo da certo, porque vai dar. Como bióloga e evolucionista, acredito na evolução humana, mas também acredito na evolução espiritual. Para mim existe uma Força Maior, que chamados de Deus, que permitiu que a vida se desenvolvesse e evoluísse. Passar por uma doença deste nível, creio ser mais um momento em que passamos para nossa própria evolução, seja ela humana ou espiritual. Tudo é aprendizagem e evolução. Cada dia muda alguma coisa em nossa forma de ver os acontecimentos da vida. Tem lados ruins, mas os lados bons são maiores e melhores e acabam superando os ruins.

Nos dias seguintes comecei a ler mais sobre quimioterapia. Muitas coisas podem acontecer, dessas, podem acontecer todas, nenhuma, ou só algumas, depende da reação ao tratamento e isto varia de pessoa a pessoa. Pensei muito em como ficaria careca e se ficaria careca. O Dr. Bruno (Masto) já havia me dito que provavelmente a quimio seria bastante agressiva por isso era quase certo que meu cabelo fosse cair. Marcamos uma consulta com a oncologista e conversamos um pouco com a enfermeira da oncologia (Sabrina) muito gente boa, adorei! Ela explicou como seria mais ou menos e me disse que eu não deveria cortar meus cabelos ainda, que era o que já estava pensando em fazer (raspar), ainda bem que não fiz isto, pois ia demorar ainda até começar a quimio e o cabelo começar a cair. Ela me deu alguns telefones de lugares que faziam peruca com o próprio cabelo, de lugares que vendiam perucas sintéticas e ainda me emprestou um livro “Câncer – direito e cidadania” de Antonieta Barbosa que nos explica tudo sobre como a lei pode beneficiar os pacientes e seus familiares. Nos dias seguintes compramos alguns lenços, chapéus e até uma peruca sintética (muito parecida a um cabelo de verdade) para o período de tratamento.
Algumas dicas de onde encontrar perucas, lenços e chapéus:
  • Tânia Wig's Perucas e Acessórios - SHIS QI 5 bl I lj. 10 - Gilberto Salomão - Brasília - DF(61)3364-1567 (lá tem perucas sintéticas muito parecidas com cabelo natural);
  • Hat shop Loja de chapéus - Terraço Shopping- 1 piso - (61)3964-0538

Fatores de Auto-Organização (FAO)


Na segunda-feira, dia 29, fomos ao cirurgião plástico. Saí de lá sem o dreno (dá só uma agoniazinha para tirá-lo, pois ele dava a volta no meu seio). Só de tirá-lo tudo já melhorou. A partir daí só repouso e visitas, parentes e amigos que iam prestar seu apoio e solidariedade. Vou aproveitar para dizer como essas pessoas são lindas! Na verdade só quero agradecer a força de todos. Cada dia me emociono com palavras, depoimentos ou até um abraço de cada pessoa que vem demonstrar seu carinho. Obrigada mãe, pai, Dedé, João, meu xuxuzinho, Brenda, tias, tios, primas, primos, amigas, amigos, vovó, vovôs, sogrinha, cunhadas, cunhados e todos que de alguma forma tentaram prestar seu apoio. Realmente o que importa na vida é tudo isso. Sem vocês tudo seria mais difícil... Amo muito vocês!
Do médico fomos ao shopping comprar alguns sutiãs sem aro somente de pano para eu usar nestes próximos meses e ainda compramos um livro que o médico recomendou “Anticâncer – prevenir e vencer usando nossas defesas naturais” é sobre um médico psiquiatra e pesquisador de neurociência que descobre um tumor no cérebro, com estimativa de vida de seis meses começa a conhecer a doença a tentar combatê-la com as alternativas convencionais e outras práticas que só dependem de nós. Depois da cura, ele passou sua experiência através do livro. Já comecei a ler e estou adorando! Por sinal é muito recomendado.
À tarde recebi a visita de uma médica, tia de uma de minhas melhores amigas, que veio fazer uma avaliação para que eu comece um tratamento homeopático alternativo e relativamente novo chamado Fatores de Auto-Organização (FAO). São sete medicamentos capazes de reequilibrar a energia vital do organismo que trabalham diretamente nos pontos onde ela está concentrada, os chamados chacras. Além disso, já se tem obtido ótimos resultados positivos comprovados na literatura científica em relação a vários tipos de câncer, inclusive metastáses, e também outras doenças. Dois dias depois tomei a primeira fase destes remedinhos. Durante todo este período vou trocando e-mails com a médica e contando todos os acontecimentos, como estou me sentindo, etc. e assim, ela vai me acompanhando. Acredito que tudo é sempre válido, só o que não se pode fazer de jeito nenhum é deixar de fazer o tratamento convencional e partir para tratamento espirituais, naturais, homeopáticos, ou o que for. O santo só ajuda quando fazemos nossa parte... e os médicos estão estudando há anos luz justamente para isso.

Para saber mais:



Obrigada Luci!

Meu aniversário e noivado 25.06.09











Acordei no dia do meu aniversário bem alegre, já com a presença do Dr. Bruno (masto) no quarto. Pude ver o que tinham feito comigo. Fiquei um pouco assustada com o corte, era um corte horizontal mais ou menos do tamanho do meu dedo indicador bem no meio do seio, mas o melhor é que eu tinha um seio. Antigamente e até hoje em dia, dependendo do caso, muitas mulheres ficam sem seio, o que deve ser muito pior. Tirar o seio mexe com a sexualidade feminina e eu particularmente sempre gostei muito do meu. Minhas amigas até brincavam dizendo que queriam ter um igual. Outra coisa ruim era o mamilo e a aréola, que foram perdidas, já que as calcificações caminhavam pra lá, mas serão reconstituídas assim que a prótese definitiva for colocada. O chato depois da cirurgia eram as dores que ainda eram suportáveis e o dreno que tinha que carregar para onde eu fosse.
Neste dia, aconteceu algo muito especial. Além das várias flores (meu quarto parecia uma floricultura), presentes e visitas especiais, ainda tive uma surpresa. Fiquei noiva. Fui pedida em casamento, como manda o figurino. Meu amor mais lindo do mundo havia planejando este momento há algum tempo para o dia do meu aniversário, mas com estes últimos acontecimentos ficara um pouco preocupado se daria tudo certo para o dia desejado. Graças a Deus, deu tudo certo. Ali no quarto do hospital, ele na presença do meu pai, minha mãe, meus irmãos, meu avô, minha avó, sogra, cunhada e sobrinha (detalhe: 11 pessoas no quarto – ouvimos uma bronca básica), ele pediu minha mão em casamento e fez um discurso que foi o mais lindo do mundo. Ele escolheu o melhor dia para fazer isso. Depois de todos acontecimentos recentes e ainda estar ali no dia do meu aniversário era uma situação que claro, não era das mais felizes. Ele conseguiu mudar tudo. Quando eu sentia uma dor e olhava pra minha aliança, passava rapidinho. E o melhor é que ele conquistou mais ainda toda minha família com esta atitude. Eu, apesar da visão positiva, estava triste com tudo o que estava acontecendo, estava preocupada com muitas coisas que iriam ter que mudar por algum tempo em minha vida, inclusive com a parte estética, seio, mamilo, cabelo, etc. A única coisa que ele quis provar com esta atitude é que me ama de verdade, do jeito que eu estiver, com peito ou sem peito. Na sexta-feira antes do almoço, recebi alta e fomos pra casa. O final de semana foi cheio de visitas.

Dia da cirurgia - Mastectomia 24.06.09

Dia da cirurgia, saímos cedo (eu, mamãe, papai e Débora), pois eu tinha que passar por um procedimento antes da cirurgia, onde seria aplicada no seio por meio de agulhas uma solução para localizar possíveis linfonodos comprometidos. O médico já tinha me alertado que este procedimento era doloroso, pois pareciam picadas de abelha. Achei que ia doer muito mais... Como a cirurgia estava marcada para as 11 horas, fomos andar no Templo da Boa Vontade. Foi ótimo... liberar as energias negativas e recarregar as positivas andando no círculo. Eu e Débora compramos brincos de cristal e molhamos na água corrente abençoada. Adoro ir a este lugar! Quase chegando à hora, voltamos ao local do exame para fazer umas imagens e depois nos dirigimos ao hospital. Lá chegando, encontramos o João Renato (irmão), Brenda (irmã), tia Ligia, tia Tetê, Camila e tia Vânia. Camilinha é minha prima que mora em Goiânia e ia assistir a minha cirurgia. Com sua vida corrida de médica, ela deixou tudo lá e veio me acompanhar. Meu bem também já estava chegando, pois ia trabalhar até 11 horas, mas eu só iria vê-lo depois da cirurgia. Depois que falei com ele no telefone, me deu muita vontade de chorar. Tudo pronto, aquele chororo e subimos eu, mamãe e Milinha. Como a Mila ia entrar comigo, depois meu pai pôde subir para ficar na sala de espera com minha mãe. Soube depois que meu bem também subiu. O resto podia ficar no quarto ou na sala de espera lá de baixo. Soube também que durante a cirurgia várias pessoas passaram por lá para apoiar minha família. Obrigada a todos!
Vesti aquela roupa de paciente, a Mila vestiu a roupa de médica e ficamos conversando enquanto aguardávamos a chamada do médico. A Mila é hematologista e trabalha com pacientes com leucemia, que como ela mesmo diz, é como se eu tivesse descoberto minha doença na fase mais avançada, pois a leucemia é muito mais agressiva. Logo fomos levadas à sala de cirurgia. Lá estavam “meus médicos” – Dr. Bruno (Mastologista), Dr. Adorno (Cirurgião Plástico), Dr. Marcelo (Médico nuclear), Dr. Gabriela (Mastologista), um médico anestesista e outros que acho que eram enfermeiros, e claro, a Mila. Depois que vi todos, fiquei mais segura, pois antes disso estava nervosa. Nessas horas, confiamos nos médicos, como nunca confiamos em ninguém. Mas sabemos que eles estão ali, servindo apenas como instrumentos, pois Deus sempre está no comando de tudo. Lembro que depois da anestesia, olhei para o relógio, eram 11:33 e de repente me deu um sono muito gostoso, eu não dormia direito a mais ou menos umas duas semanas; só a base de remédios.
Acordei umas 4 horas depois, não sei bem onde, só sei que andei de maca por um corredor, um elevador, depois cheguei no quarto, várias pessoas estavam lá, mas não me lembro direito quem. Lembro também que queria chorar muito e chorei. As recordações são poucas, pois o efeito da anestesia dura muito tempo, então a sonolência é grande, toda hora acordava, dormia, chorava, acordava, roncava... Lembro também do meu amorzinho toda hora ao meu lado. À noite, só restaram mamãe e papai que dormiram comigo, ou melhor, tentaram, pois acordei muitas vezes para fazer xixi na comadre ou chorar. Tadinhos.
A anatomopatológico pós-cirurgia diagnosticou meu CA como Carcinoma ductal invasivo, associado a extenso componente "in situ" de mama direita (grau II). De 31 linfonodos examinados, 2 (sentinelas) estavam comprometidos. A imuno-histoquímica caracterizou meu tipo de CA como triplo-negativo, por ser receptor de estrógeno e progesterona negativos e ainda negativo para a proteína HER2.

O diagnóstico 18.06.09

Exatamente uma semana antes de completar meus 30 anos, recebi o diagnóstico: câncer de mama. Cerca de seis meses, vinha tratando da mama direita por causa de uma mastite, inflamação nas glândulas mamárias ocasionada por bactérias, que no meu caso pode ter sido pelo uso de cigarro, pois as toxinas deste podem ter se acumulado nos ductos do meu seio causando a infecção. A princípio tratei, por meio de antibióticos e comecei um tratamento para parar de fumar. Nesta época fiz a primeira ecografia mamária que nada constava. Depois de uns dois meses, parecia que a mastite tinha voltado (tinha diminuído os cigarros diários bastante) e ainda começou a sair uma secreção involuntariamente do mamilo. Voltei a minha médica mastologista, Dra.Giovanna, que pediu nova ecografia que também não deu em nada, a secreção do mamilo era um derrame papilar que provavelmente estava liberando as secreções ocasionadas pela mastite. Passado mais ou menos um mês, minha médica coletou a secreção do mamilo que continuava a sair e que já não podia mais representar sintomas da mastite, pois estava demorando demais. O resultado citológico saiu em uma semana, minhas células apresentavam neoplasia, ou seja, havia células de tamanhos irregulares e o patologista sugeria uma biópsia. Apesar do resultado não querer dizer muita coisa, pois poderia ser somente um derrame papilar, lembro que a partir deste dia (meados de maio) lá no fundo alguma coisa me dizia que havia algo de errado. Foi pedido então pela minha médica mais uma ecografia e uma mamografia para confirmar a necessidade da biópsia. Depois deste dia, o medo de um câncer me fez retomar o tratamento de tabagismo.
Só consegui fazer os exames na clínica que minha médica recomendou umas duas semanas depois, em uma quinta-feira. O resultado, veio na segunda: microcalcificações agrupadas nos ductos da mama direita. Minha médica havia tirado licença maternidade, pois ganharia seu primeiro bebê já na quarta-feira, dois dias depois do meu resultado sair. Mesmo assim, pediu que ligássemos para ela para ler o diagnóstico. Minha mãe colocou a conversa no viva voz e ouvi minha médica dizer que não poderíamos esperá-la, pois havia ficado um pouco assustada. Ali, diante de suas palavras, tive medo. Mas ainda não podia considerar nada, pois antes deveria ser feito um exame histológico (biópsia). Ela (médica) se antecipou e ligou para um amigo médico também mastologista para que pudesse me atender o mais rápido possível. A consulta foi realizada na manhã seguinte no primeiro horário. O médico marcou a mamotomia (mini cirurgia realizada com anestesia local em que se tira uma amostra de tecido para análise) para dois dias depois.
No dia da mamotomia, fui com minha irmã Débora, o que foi ótimo, pois apesar da angústia, ri o tempo todo, se tivesse ido com meu pai ou minha mãe, com certeza estaria chorando. Minha mãe naquele mesmo dia estava passando por uma cirurgia, para retirada de pólipos do útero, mas não corria perigo. O problema é que coincidiu com meu exame, o que ela não queria de jeito nenhum. Mas graças a Deus correu tudo bem e no mesmo dia ela estava em casa. Voltando a minha mamotomia, doeu demais, ao contrário do que disse uma senhora que tinha feito antes de mim – “ Não dói nada...” – ou ela não sente dor ou mentiu para mim, porque o meu doeu muuuito. Depois o médico me disse que doeu, pois estava muito dura a calcificação e ele nem pôde coletar muito. Pedimos urgência no resultado, que normalmente sai em quinze dias, o meu saiu em uma semana, uma semana antes do meu aniversário.
Esta foi à semana mais angustiante da minha vida. Li sobre quase tudo e tinha quase certeza do que ia dar no meu exame. Este “quase” que era terrível... será que estou doente? Será que vou ter que tirar meu seio? Será que isto está acontecendo? Eram várias as perguntas... e o medo... e a agonia... toda vez que estava sozinha chorava aos prantos e não parava de pensar nisso.. só queria ouvir logo da boca do médico que eu tinha ou que eu não tinha, o diagnóstico que fosse eu estava preparada, só queria ter logo certeza.
A semana passou, devagar, mas passou... Assim que o resultado saiu, corremos ao médico (eu, minha mãe e minha irmã). No caminho do patologista ao meu médico mastologista, li o diagnóstico: carcinoma ductal in situ. Eu já sabia que era isto, já tinha lido tudo. Não chorei, minha mãe chorou por mim. Esperei a conversa com o médico. Ele já disse tudo o que estava acontecendo, o que ia acontecer e o que poderia acontecer. O que estava acontecendo era que eu tinha uma forma inicial de câncer de mama, que estava dentro dos meus ductos, o que ia acontecer era que eu teria que realizar uma mastectomia radical da mama direita já na semana seguinte e o que podia acontecer era o câncer ter se tornado invasivo, ou seja, saído dos ductos e passado para os linfonodos nas axilas, que já seria um pouco mais agressivo, pois teria que fazer quimioterapia além da radioterapia. Assim que sai do consultório do médico, desabei junto com a minha mãe e minha irmã, choramos muito, não conseguindo acreditar no que estava acontecendo... Este primeiro momento é meio desesperador.
Nesta altura, meu pai já estava sabendo e parte de minha família também. Cheguei em casa e recebi o carinho da minha família, meus pais e irmãos, meu amor, tias e primas que quando souberam vieram prestar apoio, muito importante neste momento.
Na manhã seguinte, já estava conversando com o cirurgião plástico, que explicou sobre a reconstrução da mama que no meu caso seria feita na mesma cirurgia. Na verdade é colocado um expansor, uma espécie de prótese temporária ou implante vazio, que ao longo de semanas vai sendo preenchido com soro fisiológico para distender a pele lentamente e só depois do término do tratamento é que se coloca a prótese definitiva. Ai que vem a parte boa... já que estamos passando por isso, vamos aumentar né.... Bem, quando chegamos para conversar com o médico, eu e minha mãe, ainda muito abaladas e sem conseguir digerir direito o que estava acontecendo, não parávamos de chorar. Minha primeira pergunta foi: “Meu peito vai ficar igual?”. Mas o médico, que apesar de ser cirurgião plástico, me surpreendeu com suas palavras e sua visão espiritualista dos acontecimentos da vida. Entrei lá chorando, preocupada com estética e saí de lá sorrindo, pensando que realmente existem coisas mais importantes na vida, ou seja, a própria vida.
Neste mesmo dia consegui realizar todos os exames necessários para a cirurgia. Na segunda-feira seguinte, já estava com os exames em mãos e pronta para a cirurgia. Só restava que os médicos e o hospital se conciliassem para o mesmo. Este dia quase foi o do meu aniversário, mas minha mãe não queria de jeito nenhum que a cirurgia fosse feita naquela data. Ligou, conversou, pediu e conseguiu... a cirurgia ia ser feita na quarta-feira, um dia antes, mas pelo menos eu não ia passar meu aniversário em uma mesa de cirurgia, que era o que ela não queria. Mãe é mãe.