sexta-feira, 30 de abril de 2010

27, 26, 25, 24...

Continua a contagem regressiva! Menos cinco... agora só faltam 23! É bom pensar assim, que parece ser mais rápido. Está sendo legal ir à rádio, todos os dias conheço alguém diferente, bato papo, troco experiências - diferente da químio, em que fazíamos cada um em seu "quartinho" e não tínhamos contato com quem também estava fazendo. Às vezes, cruzava com um ou outro no corredor, na hora de ir ao banheiro, que por sinal era muitas vezes, toda hora dava vontade de eliminar o remédio. Quando era o "vermelhinho" o xixi saia vermelhinho também. Mudando de assunto, esses dias fui vacinar contra a influenza H1N1. Antes disso, enviei uma mensagem perguntando para minha oncologista se poderia vacinar e ela liberou. Chegando ao postinho de vacinação, falei para a enfermeira que tive câncer de mama e que iria começar um tratamento de radioterapia. Ela não quis me vacinar, alegando que meu sistema imunológico ficaria afetado com o tratamento. Não entendi muito bem e fui embora triste. Mandei uma mensagem a minha médica, ela disse que depois acharíamos uma ocasião melhor para vacinar. Mas não fiquei satisfeita, afinal deveria era estar prevenida durante o tratamento, uma gripe só ia fazer piorar tudo. Perguntei ao meu radioterapeuta, ele também disse que eu poderia vacinar e que durante a rádio minha imunidade não seria afetada, ao contrário da químio. Portanto, a enfermeira estava completamente equivocada quanto a isso. Voltei ao postinho e fiz a mulher me vacinar. Diante disso, a minha principal dúvida era: sou portadora de doença crônica? Estou inserida neste grupo? A melhor resposta que obtive foi através do blog do Dr. Marcelo Bellesso (Hemo-Blog), quando ele postou sobre o assunto, dizendo que imunodeprimidos, ou seja, pacientes em tratamento de aids, câncer ou portadores de doenças que debilitam o sistema imunológico, estão inseridos no grupo de doentes crônicos, assim como várias outras doenças. É importante lembrar (como o Dr. Marcelo mesmo diz em seu blog) que antes essa questão deve ser decidida com seu médico, se você deve ou não vacinar, pois cada caso é um caso. Inclusive ainda pode-se vacinar, é só procurar o posto mais próximo da sua casa. Mais informações no site http://www.vacinacaoinfluenza.com.br/. Já que toquei no assunto do blog do Dr. Marcelo Bellesso, quero agradecer o comentário que ele me deixou - obrigada Doutor! - e informar que está disponível no link "Hemo-Blog" no lado direito deste blog. Ele não fala especificamente de câncer de mama, mas dá dicas e esclarecimentos importantes em relação a vários assuntos, principalmente para portadores de doenças hematológicas.
Agora, descanso dois dias e segunda-feira volto para rádio.

Muita paz e luz para todos!

Beijo especial as minhas amigas da rádio: Eliane, Alexandra e Maria das Graças.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Radioterapia

Hoje foi a primeira sessão de radioterapia. Não doeu. Senti um calor no seio quando estava sendo irradiada e ficou um pouquinho vermelho. Conheci algumas mulheres que também estão fazendo o tratamento, que se autodenominam "amigas do peito". Entrei para o grupo. Trocamos várias figurinhas e algumas delas me disseram que sentem dores sempre; outras, no começo do tratamento; outras, no final; e outras nem chegam a sentir dor. Depende de pessoa para pessoa e cada paciente reage de forma diferente. Além da dor local, a pele também pode ficar queimada, rósea, seca e sensível. Onde há dobras naturais, como abaixo do seio, as reações tendem a ser piores. Para tentar evitar estes sintomas, seguirei à risca o que me recomendaram: pomada três vezes ao dia (Dnativ) e compressa de chá ou flor de camomila pelo menos três vezes ao dia também (quanto mais, melhor). A pomada para proteger a pele e o chá para aliviar ou até evitar que se sinta dor durante as sessões. A camomila tem finalidade anti-inflamatória e relaxante celular. Outras recomendações: beber muita água, correr do sol e de cigarro. Mais uma etapa começou, serão 28 sessões, todos os dias, folgando apenas sábado e domingo. Estou confiante e positiva!
Começou a contagem regressiva.... 28....

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A dor e o sofrimento

De certa forma, fiquei pouco envergonhada, mas também aliviada pelas coisas que escrevi outro dia. Estava desabafando, pois, como disse, nem tudo são flores e passamos por altos e baixos. Uma hora você se cansa e cai na real do que está te acontecendo. Há dias em que você quer sorrir, há dias em que você quer chorar... isso é normal. São muitos acontecimentos que mudam sua vida e há dias que não nos achamos preparados para lidar com eles. O que fazer? Rezar, conversar com Deus, meditar, ler bons livros, pensar sempre no lado positivo e agradecer. Foi o que fiz e o baixo-astral foi embora. E não quero mais deixá-lo tomar conta da minha cabeça. Temos sempre que seguir em frente de cabeça erguida. Afinal, tudo isso são provas da vida. Provas que nos fazem fortalecer, evoluir, crescer como espírito e ser humano. Reclamamos muitas vezes, quando estamos sentindo dor, seja ela qual for. Mas a dor nós não podemos escolher por senti-la; o sofrimento sim, este podemos escolher senti-lo. Minha mãe estava lendo sobre isso em uma revista e veio com esta frase: "A dor faz parte da vida, o sofrimento é opcional" (autor desconhecido). É a mais pura verdade. Quando nos revoltamos com a dor, quando não aceitamos, o sofrimento aumenta e tudo vai piorando. É nessa hora que devemos refletir e tentar compreender que estamos passando por isso simplesmente para amadurecermos espiritualmente. Amadurecendo e tendo atitudes positivas, evoluímos. Devemos agradecer a Deus por ter nos dado mais esta oportunidade. Porque, com a doença, podemos progredir, crescer, evoluir. Continuo aprendendo a cada dia. Agradeço a Deus pela minha vida e por tudo que eu tenho aprendido durante esta jornada. Quero continuar rezando, lendo, meditando, agradecendo, para estar sempre em contato com Deus. Estamos aqui para isso, para aprender e evoluir. Por que não fazer isso da melhor forma? Viver cada segundo com alegria e positividade é o melhor que temos a fazer a nós mesmos. Vou terminar com uma frase que li no livro "Em missão de socorro", de Vera Lúcia Marinzeck Carvalho, que me inspirou para escrever hoje: "Quando se sofre, pode-se ser tentado a revoltar-se contra este fato, isto é humano; vencer esta revolta e saber sofrer é sábio e ser derrotado por ele é lastimável".

A propósito, fiz a última expansão da mama, antes da radioterapia, na última segunda-feira e enchi 40 ml. Sofri menos dessa vez. Não deu para colocar os 600 ml que o cirurgião pretendia, pois o radioterapeuta não queria perder mais tempo. Antes a vida, do que um peito. Ficou faltando 120 ml que iremos colocar quando acabar a radio. Ontem, fiz novamente a tomografia e marquei os pontos para a radiação. Começo a radioterapia semana que vem.



"Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos".

terça-feira, 6 de abril de 2010

Desabafo

Como é horrível encher este expansor. Semana passada coloquei mais 60 ml. Doeu o dia inteiro e a dor só melhorou no outro dia. As costas doem, o braço dói e o seio continua parecendo que vai explodir. Tomei até um remedinho pra dormir logo e esquecer as dores. Antes de ontem enchi de novo e coloquei mais 50 ml. A dor ainda não passou e amanhã tenho certeza que amanhecerei melhor. Ainda devo encher mais 160 ml divididos entre três encontros com o cirugião plástico. Pelas contas, dá três semanas, mas ainda não sei o que acontecerá, porque meu cirugião não conseguiu falar com meu radioterapeuta e vice-versa. Espero que amanhã eu tenha resolvido esta questão. Todas essas novidades, radioterapia, encher o expansor, estão me deixando ansiosa e agoniada. Além disso, ultimamente tenho me sentido meio baixo astral, daí junta com essas dores, parece que tudo vira de cabeça pra baixo. Pra falar a verdade, essas novidades só me deixaram pior do que já estava antes. Nem todo dia são flores. Muitos dias acordo e não quero ver ninguém, falar com ninguém, nem me olhar no espelho. Tem dias que odeio ver meu cabelo crescendo sem corte nenhum (esses dias pra trás pintei pra ver se melhorava o astral), minha sombrancelha ainda crescendo, meio seio totalmente modificado, meu peso fora do normal, ainda não posso jogar volêi, ir na cachoeira (porque posso machucar o braço), fazer trilhas, tive que sair da hidroginástica, minhas unhas estão horrorosas e por aí vaí. Ando cansada de tudo isso. Vejo algumas fotos minhas de alguns anos atrás e dá muita vontade de voltar no tempo e ter tentado de alguma forma mudar o meu destino. Quem dera se a vida fosse assim. Quando caio na real, tento me lembrar de tudo que já me aconteceu desde a descoberta, que graças a Deus pude ir aos melhores médicos, meu corte no meu seio nem ficou tão horrível assim, que graças a Deus descobrimos no começo, que tenho um convênio médico, que tenho uma família e amigos maravilhosos e um Xuxuzinho que me ama do jeito que eu sou e estou. Tento lembrar que sempre existem pessoas passando por problemas piores que o meu e tenho até vergonha de chorar pra mim mesma às vezes por isso. Termino agradecendo a Deus por tudo que tenho aprendido e que ainda tenho a aprender nesta vida. Peço perdão por às vezes me sentir fraca e peço força para continuar lutando contra esta maldita doença e por tudo que ela me trouxe de ruim.


"A fé transporta montanhas".

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Radioterapia adiada!

Quando se trata de um câncer, tudo tem que ser corrido. Temos que agir mais rápido que ele. Por isso, tudo que eu fiz até agora foi corrido desde a descoberta. Esse negócio de fazer radioterapia também me pegou de surpresa. Como disse antes, já tinha feito a tomografia e já tinha marcado os pontos (onde será enviada a irradiação) para começar nesta semana. Mas, ainda na semana passada, fui a uma consulta com o cirurgião plástico. Lá tive a informação de que, se não fosse enchido o expansor, minha pele poderia perder a elasticidade com a rádio e seria muito difícil fazer a reconstrução definitiva conforme idealizamos. Fiquei meio desesperada e concordei em encher o expansor. Colocamos 100 ml. Na hora já ficou dolorido, como na primeira vez. Meu médico cirurgião recomendou que eu questionasse o radioterapeuta se poderíamos começar a rádio daqui a umas duas ou três semanas, pois ele poderia encher o expansor nessas semanas. Saí de lá, fui à consulta com o mastologista. Ele disse a mesma coisa, mas disse também que tinha um prazo para que a radioterapia fizesse efeito e que eu deveria conversar com o radioterapeuta sobre issso. Durante este tempo todo, a dor que sentia com o expansor não passava. Pegamos (eu e mamãe como sempre) um engarrafamento na volta pra casa e comecei a sentir muita dor, meu braço e costas doíam, latejava tudo, parecia que meu seio ia explodir. Só depois de chegar em casa é que ligamos para o médico para contar o ocorrido. Ele mandou eu voltar na hora. A Dedé (minha irmã) voltou com a gente. Tiramos 30 ml, depois de eu sofrer só mais um pouquinho porque minha válvula estava "enferrujada" e não queria liberar o líquido de jeito nenhum. Doeu demais, chorei muito, minha mãe ficou rezando no cantinho da sala. Assim que ele conseguiu tirar, o alívio foi imediato. Que susto! Colocamos esse tanto de soro, pois achamos que não ia dar tempo de encher o expansor. Tudo por um peito novo!!! Rs... Voltando à questão da rádio, só ontem consegui falar com meu médico. Ele explicou que a decisão de fazer a expansão antes da rádio é minha, mas é claro que quanto mais rápido eu começasse seria melhor e depois teríamos que fazer outra tomografia, marcar novamente os pontos e ele teria que fazer outro mapeamento para a minha rádio. Já era! Como já enchi o expansor na semana semana, já mudou tudo. Ele (meu radioterapeuta) deve estar achando que eu sou uma pessoa fútil, que estou mais preocupada com meu seio do que com minha saúde. Mas não é bem assim. Minha vida vem (é claro!) em primeiro lugar. Mas, se eu tenho tempo para poder deixar meu seio mais bonito, o que fará muito bem para minha autoestima (que não anda lá essas coisas), eu me sentirei mais bonita, mais mulher. Isso faz uma enorme diferença e quem passa por isso sabe que faz. Ele nunca teve um peito para saber a falta que um faz. O que acontece é que cada médico quer ver sempre o seu lado. O radioterapeuta quer fazer bem o trabalho dele e o cirurgião também. Hoje, vou ao cirurgião de novo, encher pela terceira vez o expansor. Vou pedir ao médico que fale com o outro, mas tudo já está resolvido. Vou fazer toda a expansão primeiro e daqui a duas semanas começo a rádio. Confio em Deus e sei que tudo vai dar certo.
FELIZ PÁSCOA!!!!