segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lar doce lar!

Obrigada pelas mensagens positivas! Vocês nem imaginam como elas ajudam. Realmente fiquei meio deprê nesses últimos dias, mas já me encontro bem melhor, com força total, pronta pra encarar qualquer coisa (assim acredito!). É que tem hora que cansam essas surpresinhas. A gente sempre imagina que vai correr tudo bem, daí quando ocorre qualquer coisa diferente, ás vezes bate um desespero. Chorei mesmo, até cansar, mas já passou (tá, Meg? rs...). Fiquei cinco dias internada e quarta-feira passada recebi a boa notícia de que poderia ir para casa e tomar o resto das medicações todos dias no hospital até completar os 14 dias de antibiótico. Quase tive que ficar lá durante esses 14 dias. Graças a Deus, pude ir pra casa. Saí de lá já na quinta, 1h da madruga, depois da última medicação. Aaaffff! No hospital até sem dor, a gente sempre acha alguma coisa doendo. É bem cansativo ficar lá. A gente não dorme direito, medicação toda hora, um saco! Mas acho que reclamei demais. Tinha um senhor que estava lá com o filho há 65 dias por conta de um acidente. Eu só estava há 5 e fiquei achando ruim. Reclamei de barriga cheia. Ridículo! Depois que assisti o jornal da cidade hoje, fiquei pior ainda vendo as pessoas dormindo nos corredores dos hospitais públicos, sentindo dores, precisando ser operadas.... e o governo ainda faz festa para comemorar (gastando milhões) o aniversário da cidade sendo que tem vários filhos da mesma, morrendo em filas de hospitais. O povo quer saúde e não festa. E festejar o quê? Um absurdo! Mas voltando a minha pessoa, me senti ridícula por ter chorado tanto. Contudo, não me esquecia de agradecer. Graças a Deus tudo correu bem, fui medicada, meu médico é um anjo, deu toda assistência, estava em um ótimo hospital sendo acompanhada direitinho. Mas ninguém gosta de sofrer. Me senti um pouco esgotada, minhas energias não estavam muito boas. Também só foi chegar em casa que tudo começou a melhorar. Mandei embora todas essas energias ruins e já estou me sentindo equilibrada de novo.



Como expliquei antes, ainda tenho que ir todos os dias a uma clínica tomar antibiótico na veia. Sábado acaba e segunda que vem tiro os pontos. Está tudo caminhando bem, só as minhas veias que ás vezes não ajudam. Tem dia que é difícil achar uma, fura ali, fura aqui. Depois das químios e tantos outros medicamentos, elas estão meio fracotinhas. Como fiz esvaziamento axilar do lado direito, só posso usar o braço esquerdo para tomar medicações, aferir pressão, etc. O que dificulta ainda mais. O que fazer para ajudar? Compressas com água morna nas veias, tomar muita água e se alimentar bem.



Estou me cuidando, pois não quero saber de bactérias por um bom tempo, ou melhor, nunca mais. Longe de mim, danadinhas!



P.S.: Tican, amei o "meu" texto. Um beijo!








segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cirurgia

Bem, a cirurgia na segunda-feira passada correu bem, dormi no hospital, saí no outro dia e fui pra casa. Ainda no hospital vi meus seios e confesso que em um primeiro momento não gostei, mas vou explicar por quê. Primeiro, está tudo inchado, então não dá pra ter noção de como ficará. O esquerdo eu amei, está lindo! Mas o direito.... fiquei assustada porque ele parecia menor e eu achei que já estaria com o mamilo. Entendi errado e achei que o procedimento poderia ser feito na mesma cirurgia. Nada disso. Só daqui a alguns meses. Fiquei frustrada por conta disso e chorei horrores. Depois que conversei com meu médico na quinta, fiquei mais calma e entendi mais uma vez que cada coisa tem seu tempo e que é preciso ter paciência. A mama direita só não está melhor por conta da radioterapia, que ocasiona alguns danos e limita a pele. As dores que senti depois foram por conta do dreno, que só pude tirar na quinta-feira. Se fosse só isso estaria tudo bem... O pior é que ainda na quarta-feira comecei a sentir febre e a mama direita ("a problemática") estava bastante avermelhada. Quando fui ao médico tirar o dreno, ele trocou o antibiótico por outro mais forte e fui pra casa. Só que a febre persistiu e na sexta piorou. Mamãe ligou para meu médico e ele pediu para que voltássemos ao hospital. Fui para o pronto-socorro e mais tarde acabei internada. O antibiótico foi trocado por um mais potente, intravenoso. Fiz vários exames e agora estou aqui tomando vários remedinhos na veia e aguardando o retorno do médico infectologista para dizer até quando terei que ficar por aqui. A boa notícia é que desde sábado não tenho mais febre, minha mama está bem melhor e estou me sentindo bem. Tudo isso é sinal de que meu corpo está reagindo bem ao tratamento. Se não fosse assim, talvez eu tivesse que retirar a prótese direita para tratar a infecção, o que para mim seria terrível. Graças a Deus, tudo parece correr bem. Depois darei mais notícias.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Reconstrução da mama


Como cheguei a esta etapa, vamos falar de reconstrução mamária. Não sou especialista, mas posso falar um pouquinho sobre o assunto, afinal, esse agora também é meu mundo. Pelo que sei, a reconstrução da mama pode ser feita durante a cirurgia de mastectomia (reconstrução imediata) ou depois. Esse “depois” pode demorar meses ou anos, tudo depende do tipo de tratamento - ou do Sistema Único de Saúde - SUS, que na maioria das vezes deixa as pacientes esperando por anos para uma reconstrução - o que nos indigna muito! Além de perder a mama, situação que mexe no íntimo da alma feminina, muitas vezes a mulher perde os cabelos, engorda, etc., afetando diretamente sua autoestima. Para recuperá-la, a reconstrução mamária é de uma importância tremenda. Só quem passa sabe o significado do que estou falando. Não é fácil ouvir que você terá que retirar uma mama, ou as duas, que perderá os cabelos, ou que ficará sem o mamilo. Para mim este último foi pior. Doeu lá no fundo quando ouvi da boca do médico que tinha que tirar o mamilo, pois as microcalcificações estavam caminhando pra lá. Pois bem, doeu na hora, me lembro disso na maioria das vezes em que me vejo no espelho, mas já foi superado. E com a segunda etapa da reconstrução, estará enterrado nas minhas mais profundas lembranças. Como já disse inúmeras vezes, gosto de pensar só no lado bom das coisas, ou pelo menos tento...rs.... ninguém é de ferro! Esses dias, quando fui ao meu médico, ele me disse que ia participar de um mutirão de reconstrução mamária (que ocorreu no dia 30 no Distrito Federal), no qual cerca de 120 médicos (além de outros profissionais) realizaram reconstruções em cerca de 60 mulheres. Que gesto lindo! Eles não podem imaginar o bem que fizeram a essas mulheres. Devolveram a elas a autoestima e parte da identidade feminina. Que Deus os abençõe sempre!


Existem alguns tipos de reconstrução, como a reconstrução com retalhos da musculatura dorsal, reconstrução com retalhos da musculatura abdominal (ou retalho TRAM) e a reconstrução com expansor tecidual (ou de pele), que são as mais comuns; este último é o meu caso. Os tipos de reconstrução também dependem de paciente para paciente, ou seja, cada caso é um caso e cada um tem suas peculiaridades. Eu pude colocar o expansor ainda na mastectomia, pois não tive que retirar a pele, nem o músculo peitoral, e minha mama era de pequena a média. Agora, na segunda etapa, trocarei o expansor por uma prótese definitiva, e, claro, colocarei na outra também, para não acontecer de eu estar velhinha com um peito murcho e outro durinho...rs. O mamilo é reconstruído na mesma cirurgia, com a pele da mama mesmo. Depois disso (mais ou menos um mês), ainda terá uma terceira etapa, quando será reconstruída a auréola com tatuagem (pode ser feita também de outras formas).


O importante é que daqui a poucos dias terei “peicholas” novinhas em folha!!! Uhuuu! Sempre me lembro que não posso reclamar, e não posso mesmo. Graças a Deus, tudo tem dado certo. Tenho convênio, meus médicos são ótimos, fiz parte da reconstrução na própria cirurgia de mastectomia, meus exames estão perfeitos, minha família, meu amor e meus amigos sempre me apoiaram, tenho lindos bichinhos de estimação que me dão muita alegria e tenho saúde! Só tenho a agradecer e não me dou o direito de reclamar. Claro, como já disse, ninguém é de ferro, já chorei, já gritei, já esperneei, mas sempre tento me lembrar que estou viva e feliz, e é isso é o que importa.