quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Um ano de tamox...inferno

Há um ano comecei a hormonioterapia com o citrato de tamoxifeno, remedinho oral, mais conhecido no mundo oncológico como tamoxINFERNO, pelos efeitos colaterais que traz com ele. Na verdade, tenho sentido pouco desses efeitos, o que me deixa bastante feliz, pois nem queiram ler a bula desse bendito. Esse remedinho é essencial, pois é ele que vai me deixar livre desse maldito câncer e é bom que estejamos bastante entendidos um com o outro, pois ele me acompanhará ainda por mais 9 anos... aff. Por enquanto, posso dizer que o efeito maior está sendo mesmo o HUMOR, mas esse eu estou tentando controlar. É como se estivéssemos na TPM todos os dias. Agente ri, chora, ri de novo, chora, fica brava, chora... Coitados dos maridos... kkk... Mas, sério! Tento me controlar, pois se não, haja loucura. Minha médica até receitou um outro remedinho para controlar os efeitos do tamoxifeno, se chama cloridrato de venlafaxina, se trata de um ansiolítico, trata depressões e alguns transtornos associados a ansiedade, e muitas coleguinhas pacientes usam para amenizar. Tomei por três dias e desisti. Porque não quero tomar um remédio para amenizar outro, pois já bastam os efeitos colaterais a longo prazo de um. Outra solução é a prática de atividades físicas regulares para quem não quer tomar remédio como eu. Como sempre fui mais para sedentária, hoje estou tentando mudar meus hábitos. Meu maridinho é meu personal trainer e me dá o incentivo que preciso. Mas tem que ser todo dia, pelo menos 30 minutos. Outro efeito colateral bastante chato são as ondas de calor ou fogachos, que vêm lá de dentro da alma e tomam conta do corpo inteiro. Não há ventilador, ar-condicionado e leques que agüentem.  E assim vamos levando a vida... eu e meu melhor amigo TAMOXIFENO.


 A foto é para comemorar 5 anos do meu casamento, que fez aniversário também. Olhando para trás, vivemos muitas coisas e espero viver muito mais ao lado desse grande amor. 



Um soneto para mim!!!!

Tio Carlyle e tia Lígia,

é uma honra muito grande receber tão lindo soneto, com tão lindas palavras que me serviram de conforto em dias tão ruins. Obrigada pela presença de vocês e dessa família maravilhosa que construíram, e que nunca mediram esforços para me ver bem e com saúde. Amo muito vocês!


Um  soneto  para  AMANDA

A vida, Amanda, é assim: bonita, mas atrevida,
Tornando cada pessoa teimosa ou mais fagueira.
Às vezes é vida fácil... Às vezes é luta renhida...
Transformando a mulher frágil em uma mulher guerreira!

E nessas idas e vindas que a vida oferece,
Você, Amanda, irradia beleza, graça e arte:
É tenaz, é valente, e nunca, jamais fenece,
Retratando a figura de uma estóica Joana d’Arc!

Nada para você  será em vão, será debalde!
E o seu destemor, surpreendente, tão profundo,
Molda-lhe o perfil de uma Anita Garibaldi!

E num misto d’Amanda-mulher _ Amanda-menina,
Vai encantando a todos e fascinando o mundo.
Amálgama exemplar da mais  terna heroína!

Bsb, 2-9-2009
(Tio Carlyle)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

8º ENAMP

Passando somente para registrar um pouco do 8º ENAMP - Encontro Nacional das Meninas de Peito, que aconteceu em maio no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa! Lá a gente se entende, a gente se abraça, a gente troca figurinhas, tristezas, alegrias, histórias, lágrimas.... Lá a gente se autoajuda. Bendito dia que minha amiguinha do peito, Marina Maior, teve essa brilhante ideia de reunir mulheres que passaram ou estão passando pelo CA de mama. E que venham muito mais encontros como esse! Viva a vida!


A fotinha abaixo repetimos do encontro em Goiânia em 2015 e pretendemos repetir em todos esses encontros maravilhosos! Reparem nos cabelinhos já grandes..

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Desabafo sobre o câncer


Odeio ficar falando o que eu sofri com o câncer, pois não quero que tenham pena de mim e não gosto de sentir pena de ninguém. Mas é verdade que alguma coisa muda na nossa vida após um câncer, ou dois. Hoje uma grande amiga, que considero como parte da minha família, está fazendo sua cirurgia de mastectomia. Relembrei minhas cirurgias, mas principalmente a de mastectomia. Momento muito difícil que me pegou de surpresa e eu não pude nem raciocinar. Foi melhor assim. Mas depois existe uma sensação estranha, ruim, de vazio. Não é bom ficar sem uma mama, sem mamilo, sem aréola e no lugar ficar cheia de cicatrizes. É triste. O bom é q hoje em dia podemos sair com próteses no lugar, pois há algum tempo atrás isso não era possível e eu tiro meu chapéu a todas aquelas mulheres que tiveram que passar por um momento tão difícil e sair “mutiladas” dessa, como alguém me disse um dia que era assim que eu ficaria. Se quer ajudar alguém que está passando por isso, pergunte como pode ajudar. Mas fique calado se não tiver o que dizer, fique apenas ao lado da pessoa. O câncer é agressivo, ele vem com tudo e vai levando tudo com ele, não adianta ser tão positivo e ignorar sua gravidade. Adoro a positividade, mas não é bem assim, nunca vai passar.

O câncer mostra um lado da vida que antes não enxergávamos. Só quem passa e quem convive do seu lado sabe. Os minutos são preciosos, os momentos de alegria também. Passamos a escolher a dedo o que realmente importa e quem realmente importa também. Não quero julgar o comportamento ou a reação de ninguém, mas é a mais pura verdade quando dizem que é na dificuldade que vemos quem está do nosso lado. É claro que uns tem mais recursos que outros, alguns não sabem lidar com a situação, mas as vezes esperamos mais de alguns do que de outros que estão de longe, só que mais perto.

O câncer de mama é muito mais que um laço rosa. Não é nada fácil o que vem com ele. Para quem acha que o “cabelo é o de menos”, por exemplo, está muito enganado. Porque você não fica careca antes de fazer essa pergunta idiota? O cabelo importa sim e muito. Somos mulheres e não queremos ficar carecas. É um saco o cabelo quando está crescendo, é um saco usar perucas, lenços, colocar apliques para tentar se sentir mais bonita, ficar sem cílios, sobrancelhas, pois além de não ter mama, não ter cabelo fica muito pior. Essa é a verdade. Também não queremos saber quem morreu de câncer, pois estamos tentando sobreviver e ter esperanças em quem está vivo. E o fulano que morreu, não perdeu a batalha para o câncer, ele somente morreu como todos vão morrer um dia.

Acho que acordei um pouco revoltada e triste com algumas coisas. Nós, que fomos diagnosticados um dia, não procuramos ficar doentes. Não me alimentei mal, fumei por anos, pratiquei pouca atividade física, talvez tenha guardado algumas mágoas, bebido um pouquinho além da conta, mas tenho certeza que o que trouxe os meus cânceres foram as minhas células, que por motivos naturais e conhecidos pela ciência, sofreram mutações e se reproduziram enlouquecidamente. Hoje em dia tudo pode levar ao câncer, ainda mais nesse mundo ocidental de alimentos processados e manipulados.  Não mudei a minha vida, não tenho uma vida mais saudável e não vou mudar, pois quero continuar o resto da minha vida vivendo como acho que posso ser feliz. Vivo receosa a cada exame, pois sei do risco de mais recidivas. Mas não vou deixar de viver.

Não sou corajosa, nem exemplo para ninguém, apenas vivi o que tinha para viver, passei o que tinha que passar e assim continuo. Tenho medo do que virá, mas tenho que seguir em frente, tenho momentos de tristeza e vivo refletindo esses acontecimentos. Ás vezes dá vontade de cair em depressão e falar foda-se, mas ás vezes me sinto mais fortes e pronta para qualquer guerra. O câncer muda nosso emocional, nosso físico e nossa mente.


A verdade é que minha linda amiga de infância, minha Babi, está lá agora, passando por um momento difícil que mudará sua vida para sempre, mas que pode ser um momento de renascimento, de novas descobertas, descobertas íntimas, que só ela saberá como lidar. Mas ela sabe que tem aqui alguém que vai entendê-la para o resto da vida. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre o meu 2015



Queria ter escrito ainda no ano 2015, mas não deu tempo, então vamos lá. Andei analisando meu ano passado e cheguei à conclusão de que foi ÓTIMO, apesar das circunstâncias.

SOBREVIVI AO MEU SEGUNDO (e espero que último) CÂNCER DE MAMA, terminei uma etapa importante do meu tratamento contra esse trem (químios), o que me fez refletir mais ainda na vida e confirmar que vale a pena viver em paz e alegria cada minutinho dela. Que é melhor escolher a comédia do que o drama, que a dor nós não podemos escolher, mas podemos escolher se vamos sofrer, ou enfrentar, superar. Não tenho mais dúvidas de que temos que buscar todos os dias o que nos faz feliz e faz valer a pena essa tão preciosa vida que recebemos. O que faz a gente feliz é a gente que faz. Só temos que fazer valer a pena, pois o que a vida quer da gente é coragem, como citou muito bem Guimarães Rosa.
Agora continuo meu tratamento com o tamoxifeno (tratamento hormonal) que graças a Deus só ando sentindo o “calorão” dos seus efeitos colaterais.
Pude comprovar mais ainda que eu tenho um AMOR, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, que é meu maridinho, meu companheiro, parceiro e amante, que sempre esteve junto comigo. Como é bom crescer e planejar junto com ele. Sou muito feliz!
Pude sentir mais uma vez o amor das pessoas que me cercam, dos meus amados pais, meus irmãos amigos, minhas tias carinhosas, meus tios, primas e primos irmãos, dos amigos mais próximos e até de pessoas distantes. Quem nos ama de verdade, está lá do nosso lado sempre.
Ainda não posso esquecer de comentar que há um ano atrás resolvemos morar “na roça” e que descobrimos que foi a melhor coisa que fizemos. Hoje temos uma CASA para chamar de nossa, aluguel nunca mais.  Já sentimos a QUALIDADE DE VIDA fazendo diferença no nosso dia-a-dia. E só tende a melhorar, pois a paz reina por aqui. Além do contato com o verde, estar junto dos meus animais me deixa muito feliz, aliás, nos deixa, pois a alegria que nos dão todos os dias, com seu amor incondicional, é o que nos importa.
Em outubro, vivi emoções que estão marcadas para sempre no meu coração. Ocorreu em Goiânia, o 7º ENCONTRO NACIONAL DAS MENINAS DE PEITO. Dia muito especial do qual pude rever algumas amiguinhas do peito que conheci no 4º encontro, e ainda, conhecer e abraçar pessoalmente muitas mulheres lindas que só conhecia virtualmente. Encontros marcados de lágrimas e muita emoção, pois elas fazem parte da minha e eu da delas há alguns anos quando passamos a viver no “mundo do câncer”. Estamos ligadas para sempre, um laço rosa nos uniu. Minhas eternas amigas, Rúbia Menezes, Marina Maior, Meg Vicente, Letícia Dourado, Marina da Silva, Tatiana Gimenez, Ana Michelle, entre outras, que também são muito especiais. E que venha o Rio!!!!


Outra boa notícia é que fui APROVADA EM UM CONCURSO PÚBLICO, para o cargo de BIÓLOGA, minha amada profissão, e estou muuuuuito feliz aguardando uma nomeação.

E QUE VENHA 2016! Ano de mastectomia preventiva do lado esquerdo, pois cansei dos sustinhos que às vezes levamos. Semana que vem vou me consultar com um geneticista que é o início dessa etapa.
Muita saúde e paz para nós!