
Como cheguei a esta etapa, vamos falar de reconstrução mamária. Não sou especialista, mas posso falar um pouquinho sobre o assunto, afinal, esse agora também é meu mundo. Pelo que sei, a reconstrução da mama pode ser feita durante a cirurgia de mastectomia (reconstrução imediata) ou depois. Esse “depois” pode demorar meses ou anos, tudo depende do tipo de tratamento - ou do Sistema Único de Saúde - SUS, que na maioria das vezes deixa as pacientes esperando por anos para uma reconstrução - o que nos indigna muito! Além de perder a mama, situação que mexe no íntimo da alma feminina, muitas vezes a mulher perde os cabelos, engorda, etc., afetando diretamente sua autoestima. Para recuperá-la, a reconstrução mamária é de uma importância tremenda. Só quem passa sabe o significado do que estou falando. Não é fácil ouvir que você terá que retirar uma mama, ou as duas, que perderá os cabelos, ou que ficará sem o mamilo. Para mim este último foi pior. Doeu lá no fundo quando ouvi da boca do médico que tinha que tirar o mamilo, pois as microcalcificações estavam caminhando pra lá. Pois bem, doeu na hora, me lembro disso na maioria das vezes em que me vejo no espelho, mas já foi superado. E com a segunda etapa da reconstrução, estará enterrado nas minhas mais profundas lembranças. Como já disse inúmeras vezes, gosto de pensar só no lado bom das coisas, ou pelo menos tento...rs.... ninguém é de ferro! Esses dias, quando fui ao meu médico, ele me disse que ia participar de um mutirão de reconstrução mamária (que ocorreu no dia 30 no Distrito Federal), no qual cerca de 120 médicos (além de outros profissionais) realizaram reconstruções em cerca de 60 mulheres. Que gesto lindo! Eles não podem imaginar o bem que fizeram a essas mulheres. Devolveram a elas a autoestima e parte da identidade feminina. Que Deus os abençõe sempre!
Existem alguns tipos de reconstrução, como a reconstrução com retalhos da musculatura dorsal, reconstrução com retalhos da musculatura abdominal (ou retalho TRAM) e a reconstrução com expansor tecidual (ou de pele), que são as mais comuns; este último é o meu caso. Os tipos de reconstrução também dependem de paciente para paciente, ou seja, cada caso é um caso e cada um tem suas peculiaridades. Eu pude colocar o expansor ainda na mastectomia, pois não tive que retirar a pele, nem o músculo peitoral, e minha mama era de pequena a média. Agora, na segunda etapa, trocarei o expansor por uma prótese definitiva, e, claro, colocarei na outra também, para não acontecer de eu estar velhinha com um peito murcho e outro durinho...rs. O mamilo é reconstruído na mesma cirurgia, com a pele da mama mesmo. Depois disso (mais ou menos um mês), ainda terá uma terceira etapa, quando será reconstruída a auréola com tatuagem (pode ser feita também de outras formas).
O importante é que daqui a poucos dias terei “peicholas” novinhas em folha!!! Uhuuu! Sempre me lembro que não posso reclamar, e não posso mesmo. Graças a Deus, tudo tem dado certo. Tenho convênio, meus médicos são ótimos, fiz parte da reconstrução na própria cirurgia de mastectomia, meus exames estão perfeitos, minha família, meu amor e meus amigos sempre me apoiaram, tenho lindos bichinhos de estimação que me dão muita alegria e tenho saúde! Só tenho a agradecer e não me dou o direito de reclamar. Claro, como já disse, ninguém é de ferro, já chorei, já gritei, já esperneei, mas sempre tento me lembrar que estou viva e feliz, e é isso é o que importa.