
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Um ano de tamox...inferno

Um soneto para mim!!!!
Um soneto para AMANDA
A vida,
Amanda, é assim: bonita, mas atrevida,
Tornando cada
pessoa teimosa ou mais fagueira.
Às vezes é
vida fácil... Às vezes é luta renhida...
Transformando
a mulher frágil em uma mulher guerreira!
E nessas idas
e vindas que a vida oferece,
Você, Amanda,
irradia beleza, graça e arte:
É tenaz, é
valente, e nunca, jamais fenece,
Retratando a
figura de uma estóica Joana d’Arc!
Nada para
você será em vão, será
debalde!
E o seu
destemor, surpreendente, tão profundo,
Molda-lhe o
perfil de uma Anita Garibaldi!
E num misto
d’Amanda-mulher _ Amanda-menina,
Vai
encantando a todos e fascinando o mundo.
Amálgama
exemplar da mais terna
heroína!
Bsb, 2-9-2009
(Tio Carlyle)
Tio Carlyle e tia Lígia,
foi uma honra muito grande receber tão lindo soneto, com tão lindas palavras que me serviram de conforto em dias tão ruins. Obrigada pela presença de vocês e dessa família maravilhosa que construíram, e que nunca mediram esforços para me ver bem e com saúde. Amo muito vocês!
segunda-feira, 11 de julho de 2016
8º ENAMP
Passando somente para registrar um pouco do 8º ENAMP - Encontro Nacional das Meninas de Peito, que aconteceu em maio no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa! Lá a gente se entende, a gente se abraça, a gente troca figurinhas, tristezas, alegrias, histórias, lágrimas.... Lá a gente se autoajuda. Bendito dia que minha amiguinha do peito, Marina Maior, teve essa brilhante ideia de reunir mulheres que passaram ou estão passando pelo CA de mama. E que venham muito mais encontros como esse! Viva a vida!

A fotinha abaixo repetimos do encontro em Goiânia em 2015 e pretendemos repetir em todos esses encontros maravilhosos! Reparem nos cabelinhos já grandes..

quinta-feira, 28 de abril de 2016
Desabafo sobre o câncer
Odeio ficar falando o que eu
sofri com o câncer, pois não quero que tenham pena de mim e não gosto de sentir
pena de ninguém. Mas é verdade que alguma coisa muda na nossa vida após um
câncer, ou dois. Hoje uma grande amiga, que considero como parte da minha
família, está fazendo sua cirurgia de mastectomia. Relembrei minhas cirurgias,
mas principalmente a de mastectomia. Momento muito difícil que me pegou de
surpresa e eu não pude nem raciocinar. Foi melhor assim. Mas depois existe uma
sensação estranha, ruim, de vazio. Não é bom ficar sem uma mama, sem mamilo,
sem aréola e no lugar ficar cheia de cicatrizes. É triste. O bom é q hoje em
dia podemos sair com próteses no lugar, pois há algum tempo atrás isso não era
possível e eu tiro meu chapéu a todas aquelas mulheres que tiveram que passar
por um momento tão difícil e sair “mutiladas” dessa, como alguém me disse um
dia que era assim que eu ficaria. Se quer ajudar alguém que está passando por
isso, pergunte como pode ajudar. Mas fique calado se não tiver o que dizer,
fique apenas ao lado da pessoa. O câncer é agressivo, ele vem com tudo e vai
levando tudo com ele, não adianta ser tão positivo e ignorar sua gravidade.
Adoro a positividade, mas não é bem assim, nunca vai passar.
O câncer mostra um lado da vida
que antes não enxergávamos. Só quem passa e quem convive do seu lado sabe. Os
minutos são preciosos, os momentos de alegria também. Passamos a escolher a dedo
o que realmente importa e quem realmente importa também. Não quero julgar o
comportamento ou a reação de ninguém, mas é a mais pura verdade quando dizem
que é na dificuldade que vemos quem está do nosso lado. É claro que uns tem
mais recursos que outros, alguns não sabem lidar com a situação, mas as vezes
esperamos mais de alguns do que de outros que estão de longe, só que mais
perto.
O câncer de mama é muito mais que
um laço rosa. Não é nada fácil o que vem com ele. Para quem acha que o “cabelo
é o de menos”, por exemplo, está muito enganado. Porque você não fica careca
antes de fazer essa pergunta idiota? O cabelo importa sim e muito. Somos
mulheres e não queremos ficar carecas. É um saco o cabelo quando está
crescendo, é um saco usar perucas, lenços, colocar apliques para tentar se
sentir mais bonita, ficar sem cílios, sobrancelhas, pois além de não ter mama,
não ter cabelo fica muito pior. Essa é a verdade. Também não queremos saber
quem morreu de câncer, pois estamos tentando sobreviver e ter esperanças em
quem está vivo. E o fulano que morreu, não perdeu a batalha para o câncer, ele
somente morreu como todos vão morrer um dia.
Acho que acordei um pouco revoltada e triste com algumas coisas. Nós, que fomos diagnosticados um dia, não procuramos ficar doentes. Não me alimentei mal, fumei por anos, pratiquei pouca atividade física, talvez tenha guardado algumas mágoas, bebido um pouquinho além da conta, mas tenho certeza que o que trouxe os meus cânceres foram as minhas células, que por motivos naturais e conhecidos pela ciência, sofreram mutações e se reproduziram enlouquecidamente. Hoje em dia tudo pode levar ao câncer, ainda mais nesse mundo ocidental de alimentos processados e manipulados. Não mudei a minha vida, não tenho uma vida mais saudável e não vou mudar, pois quero continuar o resto da minha vida vivendo como acho que posso ser feliz. Vivo receosa a cada exame, pois sei do risco de mais recidivas. Mas não vou deixar de viver.
Não sou corajosa, nem exemplo para
ninguém, apenas vivi o que tinha para viver, passei o que tinha que passar e
assim continuo. Tenho medo do que virá, mas tenho que seguir em frente, tenho
momentos de tristeza e vivo refletindo esses acontecimentos. Ás vezes dá
vontade de cair em depressão e falar foda-se, mas ás vezes me sinto mais fortes
e pronta para qualquer guerra. O câncer muda nosso emocional, nosso físico e
nossa mente.
A verdade é que minha linda
amiga de infância, minha Babi, está lá agora, passando por um momento difícil
que mudará sua vida para sempre, mas que pode ser um momento de renascimento,
de novas descobertas, descobertas íntimas, que só ela saberá como lidar. Mas
ela sabe que tem aqui alguém que vai entendê-la para o resto da vida.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Sobre o meu 2015
Queria ter escrito ainda no ano
2015, mas não deu tempo, então vamos lá. Andei analisando meu ano passado e
cheguei à conclusão de que foi ÓTIMO, apesar das circunstâncias.
SOBREVIVI AO MEU SEGUNDO (e espero que último) CÂNCER DE MAMA, terminei uma etapa importante do meu
tratamento contra esse trem (químios), o que me fez refletir mais ainda na vida
e confirmar que vale a pena viver em paz e alegria cada minutinho dela. Que é
melhor escolher a comédia do que o drama, que a dor nós não podemos escolher,
mas podemos escolher se vamos sofrer, ou enfrentar, superar. Não tenho mais
dúvidas de que temos que buscar todos os dias o que nos faz feliz e faz valer a
pena essa tão preciosa vida que recebemos. O que faz a gente feliz é a gente
que faz. Só temos que fazer valer a pena, pois o que a vida quer da gente é
coragem, como citou muito bem Guimarães Rosa.
Agora continuo meu tratamento com
o tamoxifeno (tratamento hormonal) que graças a Deus só ando sentindo o “calorão”
dos seus efeitos colaterais.
Pude comprovar mais ainda que eu tenho um AMOR, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, que é meu
maridinho, meu companheiro, parceiro e amante, que sempre esteve junto comigo.
Como é bom crescer e planejar junto com ele. Sou muito feliz!
Pude sentir mais uma vez o amor
das pessoas que me cercam, dos meus amados pais, meus irmãos amigos, minhas tias
carinhosas, meus tios, primas e primos irmãos, dos amigos mais próximos e até
de pessoas distantes. Quem nos ama de verdade, está lá do nosso lado sempre.
Ainda não posso esquecer de
comentar que há um ano atrás resolvemos morar “na roça” e que descobrimos que
foi a melhor coisa que fizemos. Hoje temos uma CASA para chamar de nossa,
aluguel nunca mais. Já sentimos a
QUALIDADE DE VIDA fazendo diferença no nosso dia-a-dia. E só tende a melhorar,
pois a paz reina por aqui. Além do contato com o verde, estar junto dos meus
animais me deixa muito feliz, aliás, nos deixa, pois a alegria que nos dão
todos os dias, com seu amor incondicional, é o que nos importa.
Em outubro, vivi emoções que
estão marcadas para sempre no meu coração. Ocorreu em Goiânia, o 7º ENCONTRO NACIONAL DAS MENINAS DE PEITO. Dia muito especial do qual pude rever algumas
amiguinhas do peito que conheci no 4º encontro, e ainda, conhecer e abraçar
pessoalmente muitas mulheres lindas que só conhecia virtualmente. Encontros marcados
de lágrimas e muita emoção, pois elas fazem parte da minha e eu da delas há
alguns anos quando passamos a viver no “mundo do câncer”. Estamos ligadas para
sempre, um laço rosa nos uniu. Minhas eternas amigas, Rúbia Menezes, Marina
Maior, Meg Vicente, Letícia Dourado, Marina da Silva, Tatiana Gimenez, Ana Michelle,
entre outras, que também são muito especiais. E que venha o Rio!!!!
Outra boa notícia é que fui APROVADA EM UM CONCURSO PÚBLICO, para o cargo de BIÓLOGA, minha amada profissão, e estou muuuuuito
feliz aguardando uma nomeação.
E QUE VENHA 2016! Ano de
mastectomia preventiva do lado esquerdo, pois cansei dos sustinhos que às vezes
levamos. Semana que vem vou me consultar com um geneticista que é o início
dessa etapa.
Muita saúde e paz para nós!
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