Ando
sumida do mundo. Resolvi me esconder um pouco para me focar no processo que
estou passando que é um pouco delicado. Só ando saindo do meu refúgio
particular apenas para ir aos médicos, fazer exames, medicação ou para resolver
algo inadiável. Havia comentado no último post que teria que ser submetida à
outra mastectomia (pois já havia feito uma mastectomia na mama direita em 2009,
na mesma ocasião colocado expansor, e depois reconstruído com prótese em 2011) e
que desta vez seria sem direito a reconstrução imediata, conforme havia sugerido
a equipe multidisciplinar do médico que fui em São Paulo. Porém, após várias
idas aos consultórios dos meus médicos aqui em Brasília – mastologistas,
oncologista, cirurgião plástico e radioterapeuta – e muitas conversas entre
eles depois, conseguimos chegar a uma conclusão sobre a cirurgia, ou melhor, as
cirurgias que terei que fazer. A boa notícia é que não precisarei ficar mais
sem mama, não serei mais uma “despeitada”, pois meus médicos lindos e
brilhantes encontraram uma solução para o meu caso. A verdade é que meu
principal tratamento agora, além da hormonioterapia que eu já iniciei novo
protocolo, será a cirurgia de mastectomia radical. Vou explicar melhor, pois existem diferentes tipos de mastectomia.
Em
2009 eu fui submetida à mastectomia radical modificada – que é a retirada de
toda a glândula mamária e parte da pele, incluindo aréola e mamilo, além do
esvaziamento axilar. Nesta técnica pude colocar um expansor na mama e após
chegar ao nível de expansão que queríamos, parei tudo para fazer a radioterapia
(28 sessões) e somente após alguns meses do fim das rádios é que pude realizar
finalmente em 2011 a reconstrução definitiva com prótese nas duas mamas.

O
problema é que como eu já fiz radioterapia no tecido que irá para cirurgia, eu
correria um grande risco da cicatriz cirúrgica não fechar e deixar uma ferida
aberta, pois o tecido irradiado não possui mais elasticidade, é endurecido,
como um tecido morto. Então eu preciso ter tecido e músculo doadores para
cobrir a área da cirurgia devido à extensão do que terá que ser retirado para
eu ficar livre de vez desse maldito câncer de mama. A solução que meu lindo e
competente médico cirurgião plástico encontrou foi a de colocar um expansor de
pele no meu músculo grande dorsal para que posteriormente este possa servir
como retalho para a minha reconstrução mamária.
A
reconstrução mamária imediata será possível, pois o radioterapeuta liberou após
avaliar que se eu tiver que fazer radioterapia novamente, esta seria diferente
da primeira que era mais convencional. Desta vez seria uma radioterapia por
feixe de elétrons, que parece focar mais no alvo a ser tratado. Porém, como a
mastectomia radical será meu principal tratamento, talvez a radioterapia seja
descartada. Tudo dependerá do resultado da biópsia da cirurgia.

Sofri à toa. Pois depois de várias análises eu poderia ter uma mama novamente. Fiquei
feliz demais, mas depois sofri de novo pelo fato de ter que colocar um peito
nas costas para que eu pudesse ter uma mama de volta. Sofri muito de novo. O
mundo todo ficou escuro durante essa fase. Tudo ficou difícil. Eu dei uma
surtada, marido também surtou. Além de tudo também estava convivendo com outras dificuldades com minha
família. Todos surtamos um pouco. Nosso último ano foi quase todo indo a
médicos. Mas sei que juntos, como sempre fomos, vamos lutar por toda e qualquer
barreira que vier como sempre fizemos e superamos juntos.
Hoje,
o mundo começou a clarear novamente. Apesar de estar passando ainda pela fase
mais incômoda da minha vida com esse expansor nas costas. Toda semana vou ao
médico fazer a expansão e até agora já enchemos 590 ml. Agora já tenho um “bumbum”
nas costas...rs. Dói muito no primeiro e no segundo dia, tomo alguns
analgésicos para ajudar e fico quietinha. Lembra a dor da expansão da mama.
Aperta as costelas, comprime o tórax, para respirar dói e para dormir é muito
incômodo. A ideia é chegar a 1000 ml de expansão – emoji com carinha de espanto neste momento! – Sim! Vamos ter que
chegar a essa quantidade para ter pele suficiente para minha mastologista
trabalhar a vontade e retirar o danado todo de vez. Depois que chegarmos a esse
nível, poderemos realizar a minha 9ª cirurgia relacionada ao câncer de mama, da
qual farei a reconstrução com a pele e músculo do grande dorsal na mama
direita. Neste caso, já poderemos colocar também a prótese. Prometo postar uma
foto aqui do expansor nas costas após finalizar esse processo. Pelas minhas
contas essa cirurgia será realizada no fim do mês de junho, coincidindo mais
uma vez com a proximidade do meu aniversário, data em que tudo começou há quase
9 anos atrás e que recomeçou pela terceira vez na mesma época ano passado,
quando fiz a mamotomia que me indicou a segunda recidiva. A 10ª cirurgia será a
mastectomia profilática da mama esquerda, que espero fazer assim que puder. Amanhã
tenho PET-CT para avaliar o corpinho e depois de amanhã será a vez de encher
mais um pouco o expansor.
Por
esses motivos, ando isolada do mundo, quietinha no meu refúgio me resguardando.
Comecei a tomar medicação para auxiliar a depressão que vem com a menopausa
precoce, e tudo passou a ficar mais tranquilo. Adoro o Pristiq (succinato de
desvenlafaxina monoidratado), meu melhor amigo no momento. Parei de tentar
entender o que passei e ainda estou passando com relação ao câncer de mama que
invadiu e mudou alguns rumos da minha vida. Resolvi apenas viver o que tiver
para viver. Fazer o que tiver que ser feito. Se a gente tentar entender e ficar
pensando muito no assunto, a gente sofre. Não quero mais sofrer. Quero viver.
Terei que conviver com a dor, mas não quero mais sofrer. Tudo tem a dimensão
que a gente dá. E sabemos que tudo passa. Dói, mas passa. Mais uma vez tenho
que ser apenas grata ao Universo. Pois tenho tudo que preciso. O que não tenho
ainda vou ter tempo de correr atrás, pois estou viva, e descobri que podemos
reviver várias vezes na mesma vida ❤